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Mãos de
Catarina
Minhas
Mãos
Catarina
Fontan
Cheguei
até aqui
com as
minhas
mãos...
Companheiras
tolerantes
do meu
aprendizado.
Enquanto
colhia
tolos
grãos,
apontavam-me
erros
cometidos
no
passado.
Ensinaram-me
tudo: do
toque
carinhoso
ao ato
compreensivelmente
valente,
como
impulso
impiedoso
na
sobrevivência
do "ser
gente".
Mãos
minhas
tão
viajantes,
embrulhadas
em
ternuras
transparentes,
olham-se
hoje nos
espelhos
sufocantes,
silhuetas
sem
retoques
fluorescentes.
Essas
mãos,
que
bordaram
com
suavidade
paixões
marcantes
da minha
juventude,
são as
mesmas
que
esquecem
hoje a
idade,
revivendo
páginas
viradas
em
plenitude.
Mãos que
cruzaram
oceanos
temidos,
sem
sequer
cruzarem-se
entre
elas,
tocam
hoje o
meu
peito
destemido,
encorajando
os
sonhos
nas
favelas.
Mãos que
brincaram
na
infância,
partilhando
brinquedos
e
desejos
com
seres
roubados
de
fragrância,
que a
vida
apunhalou
com
despejo.
Mãos
ainda
ontem
embalando
fantasias,
já não
secam
lágrimas
de
frustração;
levo-as
comigo
em
cantorias,
ousam
reger as
dores do
meu
coração.
(escrito
de 1978
a 1981)
Mãos
queridas...
idolatradas,
despedem-se
uma da
outra
ainda em
vida.
Uma
acredita
ser o
mastro
do
amanhecer;
a outra
entardece
e se faz
vencida.
Enquanto
assisto
à triste
despedida,
com uma
aceno
esperança
por
euforia...
Com a
outra
choro a
esperança
tardia...
Mão
minha,
sobrevivente,
ainda
não
abras a
porta,
deixa-me
ver mais
uma vez
o dia
nascente,
colher
um
pedaço
de vida
na minha
horta.
Mão
querida,
quando
chegar a
hora da
minha
partida,
afaga-me,
embeleza-me
de
flores,
vai na
frente,
estende-te
renascida,
acolhendo-me
para o
doce da
outra
vida.
(escrito
em
29/04/2007)
II
Eda
Carneiro
da Rocha
Tendo
estas
mãos, se
tornou
rainha!
Mãos
obreiras,
lindas,
vivas,
tão
sábias
ao amor,
ricas em
bondade,
companheiras
a vida
inteira!
Mãos
afagadas,
beijadas,
nunca
esquecidas.
Amigas,
uma da
outra,
apesar
de meio
separadas,
sempre
estarão
juntas
em suas
louvações!
Essas
mãos,
Senhor,
deixai-as
viver
muito
ainda.
Contemplar
muitos
poentes,
se
extasiar
com
muitos
nascentes,
bendizer
a terra
que ama,
as
flores
perfumadas
com seu
amor,
nessa
vida
onde
entrevê
Esperança,
com atos
apenas
de
bonança!
Saúdo as
mãos de
Catarina,
suas e
minhas,
amando
suas
mãos
com esta
terna
emoção!
Pudesse
eu
beijá-las
ainda,
fazendo-o,
em
pensamento,
mas a
distância
é
real...
Sinto
suas
mãos nas
minhas,
fada
encantada
do meu
amanhecer,
enquanto
eu
viver!
III
Gília
Gerling
Mãos que
não
conheço,
que
nunca
toquei
nem
nunca
aqueci.
Mãos que
nunca
apalpei,
que
nunca
abracei
nem
tampouco
beijei.
Mesmo
assim,
São mãos
que
falam e
eu
escuto.
São mãos
imagináveis
para
minhas
retinas,
mas que
as vejo
movendo-se
suaves e
seguras.
Mãos de
Catarina...
Mãos que
não
conheço
o
perfume,
mas que,
pelas
palavras
que
escrevem,
deixam
rastros
do mais
puro e
nobre
jasmim.
Mãos de
Catarina...
Pelo que
sei,
mãos que
suportam,
afagam,
aceitam,
sofrem,
mas se
superam.
Mãos de
Catarina...
Mãos que
nunca as
vi,
mas,
tenho
certeza,
as
reconheceria
em
qualquer
constelação.
IV
Helena
Fontan
As mãos
da minha
irmã
Catarina
adormeceram
as
minhas
angústias,
mostraram-me
sal e
mel...
sonhos e
realidades...
Entrelaçaram-se
às
minhas,
enfrentando
fatalidades.
Mãos de
Catarina,
persistentes
na luta,
sábias e
doces,
hoje
muito
carentes,
teimosas
e
impacientes,
não se
recolhem,
lutam e
estimulam
seus
estímulos
já
ausentes.
V
Ilka
Vieira
Foi
naquela
tarde de
janeiro
que
conheci
essas
mãos tão
queridas.
Senti
que não
era um
afago
passageiro....
Estávamos
entrelaçando
nossas
vidas.
Mãos de
Catarina
surgiam
repentinamente,
transportando
experiências...
calmarias,
diante
de
turbulências
tão
presentes
ou mesmo
na
partilha
em horas
de
harmonia.
Mãozinhas
modestas,
delicadas
e
guerreiras,
seguravam
com a
mesma
suavidade
tanto o
pão
velhinho
aquecido
sem
torradeira
como o
peso das
tristezas
alheias
em busca
de
solidariedade.
Mãos que
adoçaram
o
paladar
humano,
animal,
vegetal,
literário,
replantando
amor no
solo
soberano,
sem
sementes
do
impulso
solidário.
Mãos
poéticas
que
conduziram
a
minhas,
traduzindo
metáforas
à luz do
meu
amanhecer...
Brincavam
comigo
de
juntar
letrinhas
no belo
ato de
ensinar-me
a
escrever.
Ah,
essas
mãos que
tanto me
aplaudiram
em
palco...
em
batalha...
vencendo
a
agonia...
Essas
mãos que
jamais
se
desuniram,
desencontram-se
agora...
gerando
poesia.
Resgata
o
sorriso
de cada
uma das
tuas
mãos,
Catarina!
Não
importa
se uma
fala e a
outra
emudece,
é o teu
amor...
o nosso
amor que
as
fortalece...
São mãos
de anjo
desenhando
a
prece...
São mãos
de
Catarina
retocando
a VIDA!
VI
Joelma
Davinini
Enobrece-me
o
direito
de
poetar
sobre
essas
mãos.
Ainda
meninas,
as mãos
de
Catarina
não
brincavam
de roda,
agarradas
a outras
mãos.
Tempo
escasso,
vida
dura...
Tão
finas e
delicadas,
já
viravam
as
madrugadas,
fazendo
do
estudo a
sobrevivência,
deixando
de lado
as suas
carências.
Quando
partiram
para a
França,
essas
mãos me
acenaram
dizendo:
- Estou
indo
colher o
que
plantei
no
entardecer!
Catarina,
benditas
as tuas
mãos,
que me
fizeram
resplandecer!
VII
Lúcia
Helena
Paes
Conheci
as mãos
de
Catarina
retirando
do chão
uma
criança
adormecida,
abandonada,
descoberta
pela
vida...
Mudou
seu
itinerário,
levando,
lavando
e
alimentando
a
criança.
Deu-lhe
carinho,
um
livrinho
e
esperança.
Aprendi
com as
mãos de
Catarina
que
precisamos
elucidar
nossas
retinas
e
estender
a mão,
sem
fechar
os
olhos,
em
doação.
VIII
Maria
Aparecida
Macedo
(Maria
"Anjinha")
Mãos
incandescentes!
Mãos
iluminadas!
Mãos de
Anjo!
Mãos que
tocam o
Infinito!
Que
embalam
a Luz da
Paz!
Que dão
alívio e
louvor à
Esperança.
Mãos
brilhantes
abençoadas
por
Deus,
que
embalam
crianças,
amigos,
e que
acreditam
no seu
amanhecer.
Que
sulcam a
Terra,
para nos
dar
alimento
colhido
de sua
horta.
Mãos que
transmitem
o dom de
afagar
as
flores
do
campo.
Mãos que
chegam e
acarinham
nosso
Ser.
Mãos
benditas
que
tocam o
nosso
coração.
Mãos,
que num
pequeno
gesto,
nos
acariciam.
Mãos
mágicas
e
carinhosas
que,
juntas,
formam
um elo
de amor
para nos
amar.
São
estas as
mãos de
Catarina!
IX
Marise
Ribeiro
Mãos
áureas
luzidias...
Mãos de
Catarina...
Iluminando
ainda da
vida a
ribalta...
Detenham-se!...
Não é
hora de
virar a
esquina
nem de
abandonar
a poesia
que as
exalta.
Mãos
viajantes...
Mãos de
Catarina...
Através
da arte,
conduzindo
um
mundo...
Voem!...
Deixem o
entardecer
no alto
da
colina,
ainda
não é
hora do
silêncio
infecundo.
Mãos
purificadas...
Mãos de
Catarina...
Banhadas
em
versos
de
enlevado
encanto...
Cantem!...
Soem os
acordes
da voz
da
menina,
dela...
doce
Catarina,
que as
venera
tanto!
X
Martza
Splendore
Doces,
mas
educadoras,
as mãos
de
Catarina
se
fizeram
alertas
ao longo
da vida
de que
não me
fiz
autora.
Perdia-me
nas
trepidações
da
juventude,
Mas as
mãos de
Catarina
resgatavam-me
repletas
de
decepções,
mas
salvando
minhas
virtudes.
Mãos de
Catarina
me
fizeram
amadurecer...
Escreveram
no livro
da minha
vida:
Nunca é
tarde
para a
si
próprio
merecer!
XI
Regina
Coeli
Rebelo
Rocha
Tempo de
nascer...
Tempo de
envolver...
Tempo de
falar...
Tempo de
calar...
Tempo de
morrer...
Na
esfera
da Vida,
Tudo tem
seu
tempo
E sua
razão de
ser
Na
chegada
e na
partida....
Ouvidos
que
ensurdecem,
Olhos
que
ficam
cegos,
Vozes
que
emudecem,
Pernas
que não
mais
caminham
Juízo
que
embrutece
Mãos que
se
desalinham...
O que se
dirá das
mãos
Que um
dia se
uniram
Para o
aplauso
eloqüente
E, hoje,
se
apartam...
silentes?...
O que se
dirá das
mãos
Que
tanto se
encontraram
Na ponta
dos
abraços
E, ora
se vê,
se
desabraçaram?...
O que
diria a
mão hoje
calada,
Tão
cheia de
histórias
um
dia...
Protagonista
de
enredos,
Reveladora
de
segredos...
E a
outra,
parecendo
adormecida,
Levanta-se
de sua
timidez,
Consola
a voz
emudecida,
Apresenta-se,
é a sua
vez...
É ela,
agora,
quem dá
as
cartas
Num sem
jeito e
com
vagar,
Num
respeito
à outra,
muda...
Balbuciando
em seu
iniciar...
Mas, a
Vida
deve
continuar,
Independente
das
mãos,
Independente
do
tempo,
E no
coração...
se
apoiar...
Um
coração
meigo e
sábio,
Que sem
ter pés
nem
mãos,
Atravessa
ares e
mares
E vem
beijar
outros
corações...
Corações
ávidos
de
carinho,
Que amam
afagos
que vêm
pelo ar,
Que se
sentem
abraçados,
queridos...
...
ainda
que sem
mãos
para os
estreitar...
Entendamos
as mãos,
tão
amigas,
Que, um
dia,
param
pra
descansar
A de
Catarina
Fontan...
adormece...
Não se
sabe se
irá
acordar...
Não
importa,
mãozinha
adorada,
Agradecemos
pelo que
nos
deste...
Estamos
velando
o teu
aquietar...
Agradecemos
por tudo
que
fizeste...
A outra,
a que
pouco
liderou,
Velará
por sua
irmã,
dormente,
Qual mãe
prestimosa
e
querida,
Que vela
o sono
da
gente...
Cuida-te,
Catarina
Fontan,
Guerreira
amiga,
tão
destemida!
Ergue o
teu
espírito,
rainha
do élan,
Porque o
teu
valor
vem da
tua
Vida!
XII
Ruth
Splendore
Ricas e
generosas
mãos
ensinaram-me
a ser
mãe,
apontando
os erros
sem
negar o
perdão.
Quando
as luzes
se
apagavam,
as mãos
de
Catarina
se
faziam
presentes,
iluminando
meus
olhos
displicentes.
Benditas
mãos da
amiga e
escritora
Catarina,
que
tantas
mãos
salvaram,
incentivaram
e
lágrimas
secaram...
XIII
Thais S.
Francisco
("beijaflor")
Suas
mãos,
companheiras
tolerantes
anos a
fio,
dependendo
uma da
outra
para,
juntas,
louvarem
a Deus
por
estarem
ali,
sempre a
compartilhar
dos
momentos
de
aprendizado...
Juntas
aplaudiram
as
conquistas,
juntas
enxugaram
lágrimas,
ora de
felicidade,
ora de
dor...
Juntas
colheram
os
frutos
vindos
do amor,
da
compreensão,
da
união..
Suas
mãos,
companheiras
inseparáveis
nos
momentos
de
divina
inspiração...
Uma
aparava
o papel,
a outra
escrevia
poemas
de amor,
de
vida!..
Suas
mãos,
divino
instrumento
que
amparou,
acolheu,
acarinhou,
ofereceu,
doou e
recebeu,
hoje
ainda
continuam
inseparáveis
companheiras,
talvez
agora
uma
necessitando
da outra
o amparo
do
esquecimento
de seus
movimentos,
mas...
estarão
como
sempre
estiveram...
Juntas...
companheiras
inseparáveis,
uma
acarinhando
a
outra...
e a
outra...
fazendo
a suave
companhia,
mesmo
que
silenciosamente,
mas
sempre
presente!..
Uno
agora,
Poeta
Catarina,
minhas
mãos às
suas
para
receber
da
Mestra
o
aprendizado
de vida,
de
perseverança
e da
esperança
jamais
tardia,
pois
esta
será
sempre a
última
a se
despedir!... |