DESPEDIDA SEM ABRAÇO

 



I.

Ilka Vieira

Virei a esquina contendo lágrimas.
Ainda te via dentro de mim.
Soprava desejos de voltar,
arrependimento por não lutar.

Fiz do tempo a minha fantasia...
Enfeitei-me de purpurina...
Enforquei-me com serpentina...
Saí nua da vitrine de resina.

Comprei nosso último encontro,
mas levei-me pra ti alienada.
Tola, vestida de capricho...,
mulher de aço,
retornei da despedida sem abraço.


II.

Antonio Manoel Abreu Sardenberg

Despedida sem abraço
É como taça sem vinho,
Melodia sem compasso,
É vivenda sem um ninho.

Despedida sem abraço
É como um jardim sem flor,
É abrigo sem regaço,
É arco - íris sem cor.

Despedida sem abraço
É como um céu sem luar,
É oceano sem brisa,
É praia sem ter o mar.

Despedida sem abraço
É como afago sem beijo,
É fita sem ter o laço,
É goiabada sem queijo.

Despedida sem abraço
É apenas despedida...
Marcando o fim da chegada
No momento da partida.

 

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III.

Arneyde T. Marcheschi

Quando o véu da noite
cobre o infinito,
quando as estrelas, espargindo
seus raios luminosos sobre a terra,
chegam ate mim,
me despeço de você silenciosamente.

Uma despedida triste,
muda, sem lágrimas...,
sem abraços, sem beijos,
sem carinhos.


Uma despedida lúdica,
sem mágoas, sem revoltas...,
...apenas cheia de saudade.

Na quietude, a paz chega até meu coração
e me faz entender que, mesmo distantes,
os elos jamais se romperam,
o amor jamais deixará de existir.

Silenciosamente me despeço
com um sorriso tênue
aflorando dos lábios,
o pensamento afirmando:
"até qualquer dia..."

Despedida triste, lacônica,
porém firme,
na certeza de um breve reencontro.


 

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IV.

Catarina Fontan

Cessava o vento da agonia.
Inevitavelmente, a ponte partia
sem emendas...sem resgates,
sem cobranças de empates.

Partiam-se os sonhos...
Partíamos em declive...
Partia cada um sofrendo
pelo sentimento partido...
pelo abraço indecidido.


 

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V.

Delasnieve Daspet

Vida me apresento!
Chego, para sair do marasmo!
Sem tempo mas com vontade,
eis-me, esvaída, cansada,
deixando escapar pelos dedos,
na marra, a seiva que me ofertas!

Dizem que temos de vencer a luta,
Vencer limites e desejos,
fazendo as coisas que dão prazer...

Não mais vou gastar minhas energias,
fazendo o que esperam,
concessões desnecessárias
pedindo vênia a quem não merece....

Sei que não vou virar semente,
que vou lamentar não ter vivido,
deixar-me roubar os sonhos,
despedindo-me da vida
sem ao menos um abraço!
Ei! vida! Eis-me!
Sou tempo, no tempo!
 

 

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VI.

Dúnia De Freitas

Muito antes do amanhecer
ele desperta.
A mesa está posta com cântaros
onde bebem deuses.
Corpos plenos de saciedades
enrugam.
Antes de ir-se, atiça um sonho,
um sonho ressonante de passos:
O escutas medir as distâncias
e jogas pra lá tua alma.

 

 

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VII.

Gília Gerling

Senti ali o começo.
Não sei de que começo, mas senti.
Era um abraço infinitamente longo,
dolorido,
leve, forte,
denso,
alegre, mas muito triste.

Era um abraço com gosto de eternidade,
deixando um perfume de nunca mais.

O abraço foi se diluindo em pedaços.
Lentamente os olhos se despregaram uns dos outros.
Os cílios marejados denunciavam o pranto
e as vozes trêmulas,
denunciavam a palavra final.

 

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VIII.

Ligia Tomarchio

Apunhalada nas entranhas
insignificante, recolhi-me.
Escondidas, as lágrimas surgiam...
Odor pútrido,
feridas expostas, ainda.

Traída,
em lamentos profanos
desculpas, não esperei.

Do luar,
companheiro de tantos tormentos,
recebi alento
e acuada me deitei.

Magoada,
contrita permanecia
cônscia das convicções adquiridas.
Preocupados raios de sol
em minha face roçaram e rezei.
Perscrutei-me
prostrada a beira mar
meu olhar imantado pelo sol
ergueu-se em súplica...

Coração partido não desculpa
nem atenua a culpa
de quem partindo
um abraço tenha negado.

Entregue às águas gélidas
assim como meu corpo está
no meu último suspiro indolor
sussurro seu nome...


 

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IX.

Luiz Poeta
Luiz Gilberto de Barros

Aqueles que se vão sem despedida,
Escondem suas vãs fisionomias,
Mas deixam, no momento da partida,
A nossa vida muito mais vazia.

Na solidão da dor que nos embala,
Sentimos o seu toque sedutor...
Parece que passeiam pela sala,
Nos cômodos sutis do nosso amor.

Aqueles que se vão, levam consigo
Um tempo de ternura e sedução,
Mas deixam um olhar, um gesto amigo
Na vida, na mudez, no coração.

Aqueles que passam por nossa vida
E deixam saudades itinerantes,
Em nossas solidões mais doloridas,
Não foram simplesmente viajantes...

Vieram registrar em nossas almas
A calma, o humor, a alegria;
Merecem muito mais que nossas palmas,
Merecem mais que amor, mais que poesia.

Aqueles que se vão, não vão sozinhos,
Carregam nossa história na bagagem,
Mas deixam outra história no caminho
Que a gente guarda para outra viagem.


 

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www.luizpoeta.com


X.

Malu Vives

Durante muito tempo
a vida vai tecendo encontros
onde as emoções
formam nosso emaranhado
novelo de afetos...
Durante muito tempo
aprendemos a conviver
tecendo agasalhos a quatro mãos
para cada estação do nosso crescimento.
Então nesse tempo
nos acostumamos a uma maneira
de tecer os fios da vida,
deixando de lado outros novelos
e mãos que concebessem
novos agasalhos.

Mas um dia, sem justificativa,
sem aviso prévio,
numa despedida sem abraço,
passamos a não ter mais
o agasalho que achávamos o certo
para cada estação.
Passamos a sentir um frio incômodo
que se origina no vazio
do nosso abraço ao relento
até entendermos que existem
diversas maneiras de tecer
novos agasalhos diferentes
que nos confortarão a cada estação.


 

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XI.

Marise Ribeiro

Errante..., solitária, com a esperança esmagada,
atravesso a amargura das noites frias...
Ecoam no peito os segredos da escuridão,
purgo da ausência as dores..., as fobias,
a consciência pesa, a alma chora...
Por que reneguei teu abraço quando foste embora?

Este deserto secou minha ternura...
O desejo cada vez mais impiedoso
soterra-me nas dunas arenosas da quentura...
Longe de ti mais árida ficou a vida...
Procuro a sombra, mas só encontro os abutres...
Por que reneguei teu abraço na hora da despedida?

Dele poderia ter tirado o agasalho,
para suportar o vento gélido das madrugadas
ou quem sabe a aragem refrescante,
para mitigar as feridas que doem, latejadas...
Por que não entendi quando me estendeste os braços
com um olhar de que ainda valia a pena seguir adiante?

 

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XII.

Martza Splendore

Já não quero mais ir
nem pedir para ficar
quero tua proposta de vir
doutrinando meu jeito de amar.

Nada disso são certezas
quando nos perguntamos no olhar
vale a pena viver de correntezas
ou partir sem se abraçar?
 

 

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splendore.martza@yahoo.com.br




XIII.

Neyde Noronha

Quero ficar, mas não posso.
Medito para não chorar.
Assim, tão de repente,
uma parte de mim quer ir,
a outra quer ficar.

Tantas idas sem volta,
regressos vão e vêm,
bem ou mal são regressos,
procura de acertos esquecidos.

Mão no peito, choro.
Agarro a dor sentida
que procuro entender
no silêncio;
e assim, tão de repente,
chega à despedida.


 

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XIV.

Regina Coeli Rocha

Deixa-me olhar-te mais uma vez,
para que eu imagine tão-somente
aquilo que podia ter sido,
mas não foi ...
Aquilo que decerto teve um antes,
mas que não carece de um depois...

Deixa-me ouvir-te a voz,
teu grito ensandecido
em que projetei
um sussurro inebriante...
Entre o que eu precisava fosse ...
e o que verdadeiramente é...
...cabe apenas uma palavra: distante...

Deixa-me sentir, bem lá no fundo,
o que sonhei pra nós: um grande amor,
não fosse a tua loucura, teu traço;
a tua indelicadeza, tua farpa;
a falta de sintonia dos teus pés,
pisando os meus em descompasso...

Vou-me embora, tento te esquecer,
catar o que de bom restou de mim,
contaminado que fui pelo teu fel...
Saio sem olhar pra trás,
levo um sonho partido e doído,
mas a Esperança há de ser meu mel...

 




XV.

Rivkah Cohen

Se é para ir,
não me abrace!
Já basta o que levas de mim!
Meus sonhos,
que de ti eu construía,
em mil pedaços
os vi em ruína
e vens me falar em abraço?
Já basta o que levas de mim!

Meu riso,
minha alegria,
juntas por laço me entregaste,
e vens me falar de abraço?
Mal me olhaste,
pouco balbuciaste,
como o que me entregaste fosse pouco..
Foi minha vida
que como um louco despedaçaste
e vens me falar em abraço?
Não!
Já basta o que levas de mim!

 

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XVI.

Schyrlei Pinheiro

Último abraço.
Não doído ou maculados,
nas curtas despedidas,
sem saber que será o último,
antes da partida,
sem adeus.
Risos, escondem as lágrimas,
que orvalharão a saudade
que o tempo, sem aviso,
eterniza na lembrança,
adormecendo com a esperança
de um novo reencontro.
Passam horas, dias meses...
e logo chega o tempo,
tão perto do concretizado!

Último abraço,
encantado como o primeiro,
desconhecendo que é o derradeiro,
não existirá mais instantes no tempo,
em tempo da vida,
que,finda.
Unidos, sem o eterno abraço,
chega o dia da despedida.
que tristes...
sempre viveremos.

 

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www.schyrleipinheiro.com



XVII.

Sonia Pallone

"...E eis que veio a palavra...
O olhar sem tristeza...
O coração frio...
Na memória,
todo o filme
já, sem cor...

Tudo acabou-se ali,
sem olho no olho
sem revolta e sem afago
Apenas o adeus,
simbólico,
na despedida sem abraço..."

 


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soninhapallone@gmail

 

XVIII.

Tonho França

Olhares tão próximos, as bocas silentes.
as lágrimas disfarçadas, a dor latente
a direção a seguir, oposta, divergente,
destino quem aprontou as malas, quem entende?
ainda me demoro na sala, como se mudasse algo, de repente.
Mas nada mais de mim lá havia, nem os incensos, as fotografias
minhas marcas, meus versos no ar,
a bailarina de porcelana que tanto gostava,
nada, nada mais de mim havia.
O que fizemos conosco? é o que mais me penitencia,
não saber onde nos perdemos, o ponto exato,
da lacuna, do definitivo vácuo,
talvez fizéssemos diferente, outra melodia, outro compasso,
Mas quis assim, não toque em mim,
Há muito já foi o nosso último abraço.

 

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XIX.

Wana Antony

O que sinto no peito
não é dor de infarto,
não é de mentira
e nem abstração...
É aperto danado... doído...
peito esmagado pelo peso da saudade...
estrebuchado pela mão da rejeição.

O que sinto me persegue,
se despede, vai e volta,
sente falta de um abraço,
silhueta do desejo...
luz clareira de amor na solidão...

O que sinto me transborda,
ultrapassa meus limites,
rompe todas as barreiras,
escoa do coração.

 

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wanaantony@yahoo.com.br



XX.

Zena Maciel

Diante do santuário dos sonhos
a alma ajoelhada chora
lágrimas carbonizadas
Sob o véu negro da desilusão
dorme na cama da solidão
No ventre da dor
o coração em agonia grita
o desespero do funeral do amor !
Com a lassidão dos braços
esconde o medo do abraço
no colo do sono
para esquecer do beijo
amargo da despedida!


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