Na obscura
desconfiança,
foste especulando meus passos,
aliando-se à deseperança,
inquirindo meus abraços...
Descompuseste a consistência
tão regada pelos diálogos,
coloridores de nossa convivência,
destacadores de nossos decálogos.
Espremeste teu olhar romântico
nos ínfimos intervalos das frestas.
Trocaste teu mais lindo cântico
por tristes e solitárias serestas.
Passaste para o lado dos infelizes,
pintando de dor o amor,
e o que não tinha deslizes
passou a se decompor.
Não se dando por vitorioso,
acalentaste a cruel e doente imaginação:
juntando peças em quebra-cabeça mafioso,
acreditaste na minha devassidão.
Na falta da última peça,
que certamente fecharia o teu jogo,
deixaste cair, devido à pressa,
teu sinal de cessar-fogo.
Foste destruindo-te aos poucos:
quebraste a lucidez...
quebraste o amor próprio...
quebraste a sensatez...
Por fim, quebraste a cabeça
num quebra-cabeça alquebrado...
Quebraste a cara desacompanhado....
Quebraste...
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