Nasceu numa manhã de primavera!
Transpunha a janela,
perfumando meus sonhos...
Fazia das paredes sua aquarela...
Regava minha alma
com seu olhar risonho...
À noite, trazia a luz dos vaga-lumes...
Cantava uma melodia...
Fazia uma prece...
Ensaiava com alegria
para o dia de quermesse.
Viajava eventualmente,
transportando na valise
algo reticente...
Retornava em crise,
mas disfarçava sorridente.
Deitava-se ao meu lado
e, como prêmio, era acariciado
à sombra da esperança
que não cobra fiança,
porque sonhar...
... é pintar paisagens
despidas de dor.
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