Invade-me e apropria-se
da minha alma uma tal calmaria.
Pode fazer dormir a minha poesia
e seu despertar pode retardar...
e eu posso não estar mais aqui.
É ainda tão belo o que sinto...
parece tão forte... e eu
não posso contar com a sorte.
Preciso escrever o que sinto,
porque o que sinto
já não pode ser vivido,
mas certamente seria abençoado.
Tão bom seria,
se comigo fosse
a minha poesia...
fiel sintonia...telepatia...
viagem perfeita!
E ela se mostra sonolenta...
...quase despersonalizada.
Embriaga-se com o pôr do Sol ...
quer-se enfraquecer, mas reage,
porque minha alma não pode se enrijecer.
Ilka Vieira
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