Elos


 



Quando as mãos se soltam...
permanecem elos do calor
que o tempo ilimitou.

Quando o beijo se mostra distante...
revela-se a transformação do elo ansioso
na plenitude harmônica do afeto.

Quando os olhares profundos escapolem...
partem em busca de aventuras,
voltam um dia arrastados
pela força do elo deixado.

Quando a voz se desequilibra...
sai gritando pela estrutura partida,
tenta voltar arrependida
e colar o elo magoado.

Quando o elo se faz presente
por corda..., algema..., corrente,
tende a se arrebentar...
ferir-se...
romper-se.

E quando a soma das decepções
não revelar um novo retrato,
o elo do sentimento
justificará o resultado inexato.



Ilka Vieira


 

 
 
 
 

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