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Descrevo-me cautelosamente...
... em pérolas e criaturas,
lapidando-me contra amarguras,
sentenciando meus pecados,
retocando o coração desbotado.
Descrevo-me sem olvidar...
... como menina poeta,
resvalando pelo colorido da infância,
brincando com o que a vida me escondia,
poetando por idolatria... Sem analogia.
Descrevo-me em fantasia...
... descobrindo temperos da paixão,
soltando o freio,
perdendo-me em devaneio,
desprotegendo o coração.
Descrevo-me reincidente...
... apostando no amor,
traçando contos de fadas,
fui embarcada,
terminei incinerada,
paisagem sem cor.
Descrevo-me reflexiva...
... sobrevivente de mim,
incessível ao amor,
refazendo meu folhetim.
Descrevo-me em poesia...
... insistindo na alegria,
mas meus versos aplaudidos
vêm do passado desluzido.
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