Já que precisarei amadurecer,
que seja regada pela natureza,
adoçando a tristeza
quando me visto de flor,
ao tempo do sol se pôr.
Já que precisarei conviver com as rugas,
que tenham suavidade compatível com o meu sorriso...
... que se mostrem de improviso...
... que expressem o tamanho do meu coração.
Já que precisarei transmitir experiências,
que sejam todas acrescências...
... que se descrevam sem constrangimentos...
... que não se escondam em arrependimentos...
Já que precisarei conviver com a solidão,
que conduza com leveza a minha mão...
... que se enfeite de poesia no meu universo...
... que dance graciosamente em versos...
Já que precisarei cuidar de mim,
que me transforme num querubim...
... que fortaleça minhas asas...
... que me leve às mais generosas casas...
Já que precisarei não me tornar intolerante,
que um sopro de lucidez
se apresente toda vez
que alguma chatice da velhice
se faça impertinente.
Já que precisarei resgatar minha juventude,
que lapide minha inquietude,
banhando-me em mar tranqüilo...
... sem que eu perca o estilo
de receber por merecer...
Já que poderei me tornar insone,
que me venham as histórias da linda Ivonne
como lembranças nutritivas,
em novas tentativas
de um suave adormecer.
Já que poderei compor poemas,
que venham iluminados pela inspiração de Eda,
que sabe transformar dores em seda,
estampando esperança como eterna criança.
Já que ousarei escrever como Catarina,
precisarei buscar lá na colina
a alegria do sol quando nasce,
como se porventura trepasse
nas costas do monte,
criando uma ponte
para o seu resplandecer.
Já que a beleza do amadurecer
não vem traçada
e precisa ser lapidada,
transformo em poesia
o exemplo do trio-maestria, ,
deixando-me regar para embelecer.
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