Num vôo solitário
Tímida, vacilante, sozinha
Ganho os ares
E as alturas
Sou uma...
Sobrevôo prados e arvoredos
Descanso nas galhadas
Procuro abrigo
Faço deles fortuita morada
Já não sou uma... Somos duas...
Vamos voando juntas
Trocando sensações
Renovando ilusões
Eis que surge mais uma
Irmanamos nossas asas... Somos três...
Somos as pombas da Paz
Vivemos para construir
Deitamos na noite para tecer o dia
Espargimos palavras conjugadas
Fazemos voar Poesia...
Alinhemos sempre nossas asas
E aspiremos a vôos ascendentes
De onde se vejam lindas paisagens
Nascedouro do que é refulgente
Desejo infinito de criar e recriar imagens...
Voemos em uníssono
Que não haja asas destoantes
Ou desejos discrepantes
Que os meneios, as piruetas ou os volteios
Existam para mostrar o Belo ...
Voemos os vôos da liberdade
Da doçura e da gentileza
Sejamos as pombas do hoje e do amanhã
Distribuindo sonhos e ilusões
Rumo ao longínquo, colorindo a realidade...
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Acasalamento
Marise Ribeiro
Um voar majestoso e
dominante
Há muito tempo me encantava
Com vôos inseguros e rasantes
Atrás do belo pássaro eu me atirava.
Tentei subir mesmo assim
Atingir sozinha o mundo
Até que outra ave se aproximou de mim
Alforriando seu voejar mais profundo.
Juntas, alcançamos aquela pomba exuberante
Alinhando nossas asas no mesmo instante
Viramos três... Na poesia entrelaçamos mãos
Que nos impulsionam pela imensidão.
Com o tempo, outras irão se chegar
E palavras pelo infinito iremos acasalar
Mesmo sem o calor da proximidade
Fecundaremos nossos versos de amizade.
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Madureza
Ilka Vieira
Sobrevoava o riacho
soturno
como ave viciada em solidão.
Desempoava-me pela ribeira
e apreciava vôos ousados por vocação.
Há tempos, abandonara meu bando
por rejeição ao comando.
Sonhava por voar livremente,
derrubando minha própria baliza.
É chegado o tempo da madureza
e vem dourando os sonhos
como quem restaura a vida
ou a asa partida.
Meus olhos desembaçados pela alma
descobrem a beleza do compartilhar.
É dia ainda, é a hora exata de acenar,
alcançar o belo par
que me convida a voar rumo ao mar!
Pouco a pouco o campo se alarga,
as nuvens abrem suas janelas,
o vento sopra paz,
o tempo perde suas tabelas.
Entre a chuva e o sol,
entre mim e o que era de mim,
agora somos três abrindo as manhãs poéticas
que somente a amizade energética
constrói nesse breve passeio pela vida.
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