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Intimidade
Ilka Vieira
Abriguei em silencio a nossa
intimidade.
Entrelacei minha alma na nudez da tua
e adornando nossas divergências,
fui atirada às bocas de rua.
Desvendaram meus atalhos mais obscuros,
esbanjaram-se nas minhas reentrâncias,
abafaram meus ecos poéticos
e desprezaram-me como um ser sem substâncias.
Mal sabiam essas bocas de rua,
que desfolhar a intimidade
não é revelar a personalidade,
tão pouco divulgar o cotidiano,
mas sim, exibir a alma ferida
impedida da despedida
que se faz através do olhar,
que se curva ao acenar
sem cobranças e arrependimentos.
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Nas Bocas Sujas das Ruas
Zena Maciel
Nas bocas sujas das ruas
desvirginei as intimidades
Rasguei o solidéu da castidade
expus a alma nua
Segui atalhos obscuros
de braços com a poesia
Estupraram os meus versos
com as noites de orgia
Fiz um funeral da dor
com uma apoteótica despedida
Como uma súdita do amor
Chorei lágrimas feridas
Sem cobranças e arrependimentos
Segui meu triste vagar
Driblando os sentimentos
e sem saber onde o coração ancorar
Visitem Zena Maciel
http://br.geocities.com/zenainversos/index.htm
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Em Carne Viva
Marise Ribeiro
Dói em mim tua vulgaridade
quando descarnas ao vento, sem piedade,
meu íntimo.
Nem um bálsamo de ungüento
para aliviar a ferida aberta
da minha alma descoberta,
matará a sujeira do limo.
Posso vestir-me em vários panos
que sempre estarei nua.
Causaste ao meu orgulho sérios danos
ao lançar meus segredos na sarjeta da rua.
Águas sujas em línguas de outrem,
correndo pela vala afora,
infectaram-me.
Não me importa se um outro me vem...
posso até esconder a ferida agora,
mas a vergonha já se alastrou
e do meu corpo se fez senhora.
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