Passagem
Marise Ribeiro


 


Senti que havia um pássaro
adormecido dentro de mim.
E as asas que eu não possuía
nasciam enfim.
Pena a pena, cor a cor.
Tornaram-se prontas.
Prontas para que?
Que pássaro seria eu?
Uma águia poderosa e caçadora,
espreitando suas presas
dos rochedos escarpados?
Ou um canário, com seu canto mavioso,
anunciando a primavera?
Ou mesmo, com as penas nascidas,
seria apenas uma ave que não voa?
Bati fraca e timidamente
minhas asas virgens.
Fui dominando meus medos...
Senti-me levitando, subindo, subindo...
Parei no ar e minhas asas,
como num frenesi,
batiam aceleradamente...
Foi então que descobri
que nasci um colibri!



04/04/05

 

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