Quisera que o Poeta
se desnudasse
diante de seu sublime versejar,
emudecesse a voz que lhe sai da boca,
somente falar o coração ele deixasse...
Quisera ver o Poeta nu em pelo...
Sem artifícios nem querelas...
Desatrelado de problemas,
cuidando a sua Arte com desvelo.
Despe-te, Poeta, de qualquer suplício!
Livra-te das amarras que te prendem
e só à inspiração, feliz, te escraviza,
fazendo do escrever teu único vício!
Mas... O Poeta é gente, um ser que erra...
Poeta é humano, um ser que mente...
E quando mancha o verso com atos feios,
faz triste papel no mundo das quimeras...
Ao misturar Razão com Emoção,
O Poeta controla a palavra que antes fluía;
cala cantos feitos em parceria, em uníssono,
poda as asas dos livres vôos em arribação...
Amor e Poesia são atos em unicidade...
Descaracterizam sexo, raça ou cor,
naturalidade, religião ou estado civil
meros dados... assim como a idade...
Despido do Amor Maior no seu dia-a-dia,
aniquilado por seus rios poluídos,
O Homem treme e, em contrapartida,
sabota o Poeta que chora Poesia...
O Homem, do Poeta o suporte...
Se ele apodrece os seus valores,
se deixa manipularem o seu querer,
o Poeta empobrece, perde o norte...
E aí, o Poeta vira refém do Homem
Vira escravo de desejos e de caprichos
Dá adeus ao verso livre, soberano
Deixa que o livre arbítrio se lhe tomem...
Macula a Poesia o Homem-Poeta
quando desgoverna o sentido do verso,
jogado no lixo do descaso, sem respeito,
em tramas e urdiduras em hora secreta...
Se aviltado o mundo da Poesia
e o caminho que ela vai delineando...
... a criatura, o homem, o ser humano
derruba o Poeta e o seu lirismo sentencia...
Verso e Poesia, especiais essências,
merecem ser guardados com apreço
por quem aspira ao seu doce aroma,
pelos que cantam as suas vivências...
Homem e Poeta, dois seres distintos...
Quisera que o Poeta ao homem humanizasse...
E que o Homem ao Poeta não desmoralizasse...
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