Vento, peço
sudoeste tempestuoso
Pra Deus, paz e perdão.
Por vezes, pra saber o que pedir, peço.
A carne é a dor do pobre mortal
E o que há de etéreo é que se cria
Se não fosse angústia, seria ironia
Sigo a marcha de tantos soldados
Tombados e erguidos
A trombeta dos céus: de pé!
Carrego lábaro da fé
Sou ingênuo e austero.
Sempre em frente, sempre em frente.
Com canto no peito e ar no coração
Sigo em frente, sigo em frente
Até o tropeço de cara no chão
Lentamente
Que é pra entender o que se revela
Mas é pouco, muito pouco
Sou humano, sou mundano
Miserável esparrela.
Condição masoquista e abençoada
Por vezes, pra saber o que pedir, peço
Imagem e semelhança era quando fui criança
Hoje tenho desejo de terra roxa
Tenho cinta de facão enterrado no estômago
Parece que espero o tombo, mas não
Carrego lábaro da fé
E é na marcha que me crio.
Luta, luta!
Contra si, tu e outros
Bomba, Bomba!!!
Canhão, foguetes. No espelho vejo
Chora, chora!
Mas o pranto não vem
Porque tenho bandeira!
Pensa que é guerra, mas não
É marcha de soldados
Os pés são firmes e marcados
O que falta é direção
O grito tá no peito, o ar no coração
Não desespera, meu irmão!
Tem trombeta, tem comando
É humana a condição.
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