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Minha ave partiu sem se despedir,
mas acenou sem lágrimas,
traduzindo sua hora em urgência de voar,
transformando o morrer em renascer.
Minha ave deixou comigo
seu olhar indelével, apreciador
e hoje, sem culpas, sobrevoa minha dor,
despertando alegrias com acrobacias.
Minha ave tímida e discreta,
que ofertava carinhos por canção,
partiu de mansinho na madrugada,
acentuando uma saudade enluarada.
Agora, minha ave se anuncia em breves mensagens,
resgatando, em sonhos, minha fase nuela,
aquela, em que sua asa ocupada
deixou-me desabrigada,
ao me privar de preciosos momentos
para a inteireza do amor.
Ilka
Vieira |