Sabe, amiga, eu te leio percorrendo
Os caminhos solitários do que sentes;
E percebo que estou compreendendo
Teus mistérios e teus sonhos... vagamente...
Oh, amiga, mais que ler-te, estou te vendo
Silhueta, cativante, me fitando,
Seduzindo como um mar me percorrendo
Todo sonho de amor que vou guardando.
Mas... amiga...como sei que tu me escutas
Porque tens, como eu, o dom de rebuscar
Fantasias dos vazios dessa gruta
Que a poesia sempre escolhe e quer morar...
Eu procuro o raciocínio mais sublime
Para dar ao meu poema o movimento
Que o faça deslocar-se como o vime
Ao sabor do sopro bom, livre do vento
E te pouse como um pássaro de penas
Tão macias que possam acalentar
O teu sono feito das águas serenas
Do azul macio das ondas do mar.
Sabe, amiga, na canção que imaginas,
Quando sonhas, nebulosamente leve,
Eu te entrego minhas líricas retinas
Pretendendo te sonhar num sonho breve.
Mas são sonhos de poeta... como os teus,
Que apesar de afetuosos... sorrateiros,
Sempre brincam de sonhar nos sonhos meus
Nossos sonhos são fiéis... e verdadeiros.
Luiz Poeta
www.luizpoeta.com
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