I
Eda Carneiro da Rocha
Cantantes, alegres,
lá estão elas...
Voando, querendo se desprender,
como se fosse possível!..
Presas, por um pregador
que cerceiam sua liberdade,
esvoaçam, como seres, dizendo:
"Quero sair por este céu afora,
levar meu canto e meu pranto,
dizer tudo o que fiz .
os lugares em que fui,
dos mais simples aos mais deslumbrantes!...
Freqüentei museus, salas de música,
palácios, casebres, gente rica e pobre.
A todos levava uma palavra:
“A do Amor”!
Da minha roupa mais luxuosa,
à calça jeans,
companheira de todos os dias,
em que me deliciava
em dar a volta ao mundo...
Agora, estou presa neste varal!
Não mais corro, não mais sonho.
Soltem-me! Deixem-me ir!...
Só quero a liberdade de ir, novamente,
acompanhada com meu amor,
por este mundo sem fim!”...
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II
Ilka Vieira
Peças do
cotidiano...
Íntimas ou exibíveis...
Todas penduradas sem constrangimentos,
algumas empoeiradas pelo tempo,
certamente limpas para o momento.
"Roupas na Corda"...
Particularidades despidas...
Manchas lavadas e esquecidas,
transparências "escondendo" a nitidez,
cheiro enxaguado, apagando embriaguez.
Roupas estendidas no varal...
Curtas, longas, largas, etc e tal...
Colorido de peças se entrelaçando...
Parecem crianças brincando...
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