I
Toma as minhas mãos entre as tuas
E deixa que eu sinta a tua energia
Que ela caminhe por minhas veias nuas
Das mágoas que despirei com alegria
Segura as minha mãos entre as tuas
Passa-me a tua paz, meu doce alento
Para que eu renasça em tantos sóis, em tantas luas
Quantos me façam depurar meu sentimento
Afaga as minhas mãos com as tuas
Amansa o desconforto da saudade
Até do que não vi, daquilo que nem chegou a ser verdade
Toma, segura, afaga estas minhas mãos tão cruas
Que buscam amadurecer nas marés da serenidade
E do enlevo puro e meigo da Amizade...
Regina Coeli Rebelo Rocha
II
Recebo tuas mãos entre as minhas
tecendo sentimentos incontestáveis
dispensando as entrelinhas,
instaurando campos inabitáveis.
Aconchego tuas mãos entre as minhas,
mergulhando-as na serenidade do meu lago
forte por beneficência,
cantante para o afago.
Enfeito minhas mãos com as tuas
quando delas ressurge a manhã dourada
descortinando a flor da amizade plantada.
Toco, sinto, afago, ergo tuas mãos tão orgulhosamente,
reiniciando o círculo do aprendizado delicado
que a nossa amizade é capaz de descrever.
Ilka Vieira
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