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I
Gritos em cadência,
relevante acontecência.
Gritos soltos, sonoros, abertos,
ficam surdos, agudos, mudos,
saem loucos, sujos, tortos...
... se não somos companheiros no viver.
Gritos negros, rubros, alvos,
sejam justos, carentes, perversos,
não se ouvem,
se a sintonia com o universo
não surgir pra definir e acontecer.
Gritem todas, almas desatentas!
Gritos fortes, sem perder os nortes,
contendo vida, renascer e sorte,
que sobressaiam ao poder da morte.
Wana Antony
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wanaantony@yahoo.com.br
II
São gritos temporários,
sinalizando desvio de metas.
São gritos aflitos... incompreendidos,
desprezando a forma de zelar,
sem critérios para amar.
Não se permitem abrandar
a ansiedade ou o impulso.
Saem correndo contra o vento,
por medo de pagar
o preço alto do tempo.
Gritam fortemente as almas,
não por incerteza... desatenção,
mas, por intensa força da razão,
gritam sem garganta
um grito onipotente,
fazendo-se presente.
Ilka Vieira
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