I
Despetalei a flor
da palavra,
revidei sem freios,
impedi entremeios,
desmascarei
meu interior muito feio,
desviei do diálogo e,
quando me dei conta
já havias saído,
fazendo da porta calada tão-somente,
cúmplice do teu silêncio inteligente.
Chorei, somando perdas;
apunhalei-me à esquerda,
mas sobrevivi à dor
optando pela palavra da flor,
amadurecida,
pela flor da palavra Amor.
Ilka Vieira F
II
Esculpir no gelo
o inconsciente dolorido
do impalpável que pesa.
Silêncio fecha poros,
frustra peles,
queima esperanças.
Febre criada
na ausência da palavra:
solidão do escuro.
Palavra muda
transforma em semente :
brotam alaridos .
Jardim floresce outra vez.
Flor rindo
no meu pedaço.
Dúnia de Freitas
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